Fere em vez de matares. De vez.
Já me custa a crer que a capital exista.
"(Não me queres)
(Não me qures)
Para onde vão os amores que foram um dia.
A janela, onde já nenhum vento. A janela que um dia deixaram aberta.
Os amores que foram um dia e não voltam mais.
Ela olha-o. O coração é um bicho.
Olham-se ainda. E nunca mais se olharão assim."
Rodrigo Guedes de Carvalho, "Mulher em Branco"
" E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar. E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar "
14 agosto 2009
09 agosto 2009
a tempo?
Sentada. Escuro.
Ali tinha tudo para pensar no que é meu.
Via os outros passar. Os jovens na descoberta. Os de terras distantes a conhecer esta calçada. Os que vinham trabalhar. Os que andavam perdidos e corriam pela dependência. Os que sentiam a noite. Os que discutiam. Os que riam.
Enquanto os via passar perdia-me na vida deles. E a minha em branco.
Bem me dizem para pensar na minha.
Vivi a daqueles desconhecidos naquela hora e meia.
No desespero baixava a cabeça para me sentir.
Queria ter onde lavar a alma. Naquela altura era eu. E eu
tinha que saber limpar a minha
sozinha.
Nunca o soube. Não sei.
Ver o que é meu. E viver
não sei.
Não veio no livro de instruções.
Queria ter onde limpar a minha alma.
Vou correr
para viver por mim. Será
que vou a tempo de mim?
Queria ter onde limpar a minha alma.
Ali tinha tudo para pensar no que é meu.
Via os outros passar. Os jovens na descoberta. Os de terras distantes a conhecer esta calçada. Os que vinham trabalhar. Os que andavam perdidos e corriam pela dependência. Os que sentiam a noite. Os que discutiam. Os que riam.
Enquanto os via passar perdia-me na vida deles. E a minha em branco.
Bem me dizem para pensar na minha.
Vivi a daqueles desconhecidos naquela hora e meia.
No desespero baixava a cabeça para me sentir.
Queria ter onde lavar a alma. Naquela altura era eu. E eu
tinha que saber limpar a minha
sozinha.
Nunca o soube. Não sei.
Ver o que é meu. E viver
não sei.
Não veio no livro de instruções.
Queria ter onde limpar a minha alma.
Vou correr
para viver por mim. Será
que vou a tempo de mim?
Queria ter onde limpar a minha alma.
(Dizes luz e nada se acende)
" -Sei o que vais dizer. Qualquer coisa sobre confusão porque achavas que não tinhas deixado de me amar. O pior? Acredito. Houve alguém que disse que o coração tem mais quartos que uma casa de putas.
A janela. Na vida deles uma janela que deixaram aberta, uma coisa mal fechada, indefesa às tempestades. Uma corrente de ar."
"(Dizes luz e nada se acende)"
"A janela, onde já nenhum vento. A janela que um dia deixaram aberta."
"Olham-se ainda. E nunca mais se olharão assim." ?
A janela. Na vida deles uma janela que deixaram aberta, uma coisa mal fechada, indefesa às tempestades. Uma corrente de ar."
"(Dizes luz e nada se acende)"
"A janela, onde já nenhum vento. A janela que um dia deixaram aberta."
"Olham-se ainda. E nunca mais se olharão assim." ?
Rodrigo Guedes de Carvalho, Mulher em Branco
06 agosto 2009
Ficar ferido a ter de matar.
"Há uma vida que te aconteceu, que percorreu caminhos dentro de ti. E agora. Agora isto. Reduzida a sentidos. O imediato, apenas isso. Repara que só existes por segundos. Digamos que não reténs."
"Eu tento dizer-lhes, Laura, mas não consigo.
Não sei porque quis fugir, não sei porque já não te queria se um dia te quis tanto. As incompreensíveis armadilhas do amor, quem as sabe explicar. Um homem foge quando pensa que está a morrer. Preferia, se isso te consola, Laura, que fosses tu a abandonar-me. Havias de perceber que é humano, preferir ficar ferido a ter de matar."
Rodrigo Guedes de Carvalho, "Mulher em Branco"
Desejo de, por vezes, ser "mulher em branco". Ficar "reduzida a sentidos".
Pelo ardor, a pele quente e queimada que me magoa sentir (tantas vezes). Pela respiração que às vezes prefiro não ver. Pelo cheiro, pelo calor, pela mágoa.
Desejo ficar "reduzida a sentidos" qual manhã indefesa. Desejo.
Desejo tantas vezes afastar o desejo que me queima. Arde
e
sufoca.
O calor que não quero perto.
A
pele queimada que quero minha.
A minha.
Vai
procura o que mereces.
Não
me vejas assim.
Olha
para o lado e esquece. Esquece-me.
Mata. Fere.
Deixa-me sem o sufoco de não querer sentir o ardor na pele queimada.
"mulher em branco". quero-o ser para te sentir.
14 julho 2009
A caminho*

A caminho do meu lugar.
Levo-o e espero, como antes, que ele volte maior.
Levei-o noutros tempos, fugiu de mim. Ficou.
Gostava de mandar nele, ser como é melhor. Ser como deixa a vida mais minha.
Não devia ser assim. Não devia.
É natural. Deixem-me apenas mandar nele por quinze dias.
Prometo que volta à essência de ser meu porque sim. Aí, ele vai voltar.
Meu lugar, deixa-o estar aí comigo. Depois volta comigo. E tudo continua. Meu lugar.
(Quebramos os dois. Agora não.)
11 julho 2009
Desconfio.

Dobrou as camisolas com o preciosismo de sempre. As sapatilhas no sítio certo com a mala a rebentar de um ano de vivências. Despiu aquele canto de tudo o que o tornava diferente, tudo o que o tornava dela. Agora é um nada marcado de algo que teve. E tantas vezes eu vi (vivi, senti).
Todas as idas eram uma ameaça.
Quando voltava já os caminhos eram diferentes, mas voltava.
Voltou para lhe lembrar que este canto ainda tem as recordações. Tem todas as marcas. Todas as recordações em amarelo coladas na parede. Que continuo a "passar a ponte".
Aquele abraço abstrato por tantas vezes imaginado.
Aquele sorriso cansado, meigo e vivido.
Aqueles olhos ternos, o olhar mimado.
As palavras de criança que me ficam no ouvido.
Aquele dia que é apenas mais um, mas em tudo é diferente.
Aquele dia tão rápido que chega de repente.
Aquele teu desconfiar, que é o meu, que é o nosso.
Aquilo que quero guardar. Guardar. Guardar.
A caixa está lá, não faz barulho, sussurra. Ela sabe tudo, vê, ela lê os olhos nossos. Em todos os tons ela sabe, ela sente o que é diferente. Em todos os tons ela sabe, ela conhece esta gente.
Não quero pensar nos medos, os segredos já criamos. Não quero pensar nos erros, guardo mimos, palavras, sorrisos. Guardo aquilo que é nosso. Só nosso.
Desconfio meu bem*
Todas as idas eram uma ameaça.
Quando voltava já os caminhos eram diferentes, mas voltava.
Voltou para lhe lembrar que este canto ainda tem as recordações. Tem todas as marcas. Todas as recordações em amarelo coladas na parede. Que continuo a "passar a ponte".
Aquele abraço abstrato por tantas vezes imaginado.
Aquele sorriso cansado, meigo e vivido.
Aqueles olhos ternos, o olhar mimado.
As palavras de criança que me ficam no ouvido.
Aquele dia que é apenas mais um, mas em tudo é diferente.
Aquele dia tão rápido que chega de repente.
Aquele teu desconfiar, que é o meu, que é o nosso.
Aquilo que quero guardar. Guardar. Guardar.
A caixa está lá, não faz barulho, sussurra. Ela sabe tudo, vê, ela lê os olhos nossos. Em todos os tons ela sabe, ela sente o que é diferente. Em todos os tons ela sabe, ela conhece esta gente.
Não quero pensar nos medos, os segredos já criamos. Não quero pensar nos erros, guardo mimos, palavras, sorrisos. Guardo aquilo que é nosso. Só nosso.
Desconfio meu bem*
O Jardim - Tiago Bettencourt
04 julho 2009
Ela e Ele.
Ela
"Mas porque é que a gente não se encontra
...
Eu fui mesmo até à casa de fado
Mas tu não estavas em nenhum lado"
Ele
"Já vai há coisa de um mês e tal
Que eu não a vejo entrando num bar!"
E em tons diferentes eles procuraram. E o caminho parecia tão diferente, tão distante, tão oposto. Tropeçaram. Escreveram as vírgulas no sítio errado e o ponto final veio sempre ameaçar, tornando-se reticências.
Eles erraram. Eles foram por caminhos errados. Baixaram os braços e fingiram seguir.
"Mas ela vai voltar"
E voltaram. E tentam, agora mais do que nunca. Ela saiu da casa de fado e ele veio fumar o seu cigarro para fora do bar. E, desta vez, correram os dois em uníssono. No caminho, voltaram-se a encontrar.
"Afinal não estamos assim tão fora do tom" :') *
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